Relato | 24h Brasil Ride 2017

A gente faz o que pode. Vamos colocar na mente aquele planejamento, vamos escutar os mais experientes e vamos socar a botina. O que pode dar errado?

São horas de treino, opa, pra ser mais preciso: anos de treino. Mais uma vez: o que poderá dar errado?

24h full
(Imagem: Fabio Piva)

Tudo flui da forma correta nas 8 primeiras horas…. viu, olha aí o planejamento dando certo. Mas como dizem os mais experientes chega um momento em que, inevitavelmente, você vai emburrecer. Até vi gente pedalando na contra mão, gente que esqueceu o que era direita e esquerda – esses perdi a conta.

Em uma certa hora você descobre que seu planejamento vai ter que sofrer algumas alterações, se adaptar pra ser mais correto… afinal de contas horas a frente ainda estão por vir.

Quem diabos colocou aquela ladeirinha no circuito?? Meus Deus!!! Desde o início da prova, na minha primeira “aparição” nesta ladeirinha, pensei comigo mesmo: acho que vou ter que empurrar a bike aqui em determinado momento. E pra que fiquei pensando nisso? Já diziam os mais velhos: as forcas do pensamento atraem. E não é que atraiu.

Por volta das 2 da manhã meu momento burraldo chegou. Porque eu não fiquei só mais um pouco no apoio descansando, tinha até pizza e coca-cola?? Ah, fácil saber, o frio estava sinistro. Mas em um erro na trilha acabei fazendo uma curva mais acentuada e o pneu dianteiro saiu do aro. E lá estava eu no meio do breu às 2 da manhã trocando o pneu. O bom disso é que qualquer momento fora da bicicleta é momento de descanso, não tiver pressa. Tudo pronto, vamos socar a botina novamente, dessa vez sem tanta pressão, a euforia do início da prova não funciona depois de 13hrs de prova.

Que barulho é esse?? Sério, lembra do momento burraldo?? Pois é, demorou pra notar que aquele barulho era o pneu novamente. Fala sério!!!! Nada a fazer, vamos andar e andar. São só uns 3 km até chegar o apoio, sem falar daquela ladeirinha no meio do caminho. Faz parte do jogo, anime-se você vai chegar. Isso era a minha consciência me incentivando. Deu certo, cheguei no apoio, não sei quanto tempo demorei na caminhada, trocando o pneu ou pedalando. Sei que estava chegando 5 da manhã, fiquei com uma bolha muito grande no pé e dores, em geral, pelo corpo.

Daí pra frente a minha estratégia mudou. Resolvi marcar o segundo lugar. Como estava em primeiro lugar na categoria fiquei de olho no segundo, afinal já tinha aberto 2 voltas de vantagem… E lá fiquei eu olhando e torcendo para que o segundo lugar estivesse bem confortável e nem pensasse mais em bicicleta.

24h podio
(Imagem: Bike aos Pedaços)

E assim foi meu final de semana: um espetáculo para uns, uma maluquice para outros e para mim a essência do que sou. Viver esses momentos são mágicos, quebrar as minhas barreiras fazem parte do que sou. Os reflexos ainda irão estar em mim mesmo dias depois: dores hematomas, bolhas….. mas me diz: pra que tudo isso se esses reflexos não existirem? Aí está a graça na brincadeira. Se sentir orgulhoso porque mais essa, BRASIL RIDE 24 HRS, foi superado. Digo mais: ano que vem estarei lá novamente.

Obrigado Brasil Ride, meu final de semana entrou para minha história!

Relato de Gustavo, atleta da Bike aos Pedaços.

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