Strava promete mudanças após polêmica sobre bases militares

O Strava é um dos aplicativos mais populares da atualidade, inclusive entre militares. Nesta semana, o mundo descobriu que isso é um problema: o mapa de calor do serviço que mostra os trajetos mais frequentes dos usuários no mundo todo também revela a localização de bases militares. O fato gerou uma saia justa que forçou a Strava a prometer providências, mas, no curto prazo, não há muito o que fazer.

Strava heat map 1

Qualquer um pode acessar o Strava Global Heatmap. Nele você consegue descobrir, por exemplo, quais as rotas mais frequentes por quem pratica ciclismo ou as regiões mais usadas para corrida ou nado. É uma forma legal de encontrar lugares mais propícios a determinadas atividades esportiva, quanto mais forte a “luz” do trajeto, mais movimentado ele é.

A Strava afirma que os seus serviços têm 27 milhões de usuários no mundo, alguns usam smartphones, outros usan outros dispositivos de linhas como as relógios de corrida e ciclocomputadores e é por isso que o Strava Global Heatmap consegue ser tão detalhado, pois os dados de GPS dos usuários são regularmente enviados ao serviço.

Nathan Ruser, um australiano de 20 anos que estuda segurança internacional, descobriu o mapa e teve a ideia de verificar se ele poderia indiretamente revelar a posição de bases militares em áreas de conflitos. A resposta é sim.

Strava heat map

Frequentemente, as bases estão estabelecidas em locais isolados que, como tal, aparecem com cor escura no Strava Global Heatmap. Se houver pontos iluminados em uma área escura, é porque há atividade ali. Foi assim, basicamente, que Ruser e muitas outras pessoas encontraram pontos que aparentam ser bases dos Estados Unidos em lugares como Afeganistão, Iraque e Síria.

É claro que não são só bases militares dos Estados Unidos que podem ser localizadas. No Brasil, a Revista Piauí encontrou padrões de movimentação nos arredores de diversas instituições de segurança, como trajetos de guardas no entorno da Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná.

Mas, por motivos óbvios, os Estados Unidos é que ficaram realmente preocupados (para não dizer outra coisa). Em comunicado, o Pentágono declarou que está analisando a situação para determinar se é necessário treinamento ou orientação adicional aos militares, bem como a implementação de uma nova política de segurança.

No curto prazo, a solução é ajustar as configurações de privacidade do aplicativo, mas essa não é uma tarefa tão fácil quanto deveria, por duas razões: primeiro, alguns ajustes são confusos ou um tanto obscuros; segundo, não é fácil encontrar a opção de exclusão do mapa de calor. Outra solução consiste em orientar os militares a recorrer a outro app de esportes ou simplesmente não usar nenhum. Mas isso não fará os pontos sensíveis sumirem imediatamente do mapa. Existe ainda a opção de pedir ou ordenar que a Strava oculte esses dados, mas, ao fazê-lo, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos estará confirmando as localizações das bases.

Situação complicada. Em carta aberta, James Quarles, CEO da Strava, prometeu “analisar os recursos que foram originalmente projetados para motivação e inspiração de atletas para evitar que eles sejam comprometidos”. O executivo também afirmou que a empresa já está em conversa com governo e militares para tratar os dados potencialmente sensíveis.

Mas a principal promessa de Quarles é uma ação que deveria ter sido executada há muito tempo: as funções de privacidade e segurança do aplicativo serão simplificadas para que os usuários tenham mais controle sobre os seus dados.

Com informações: The Washington Post, Engadget, Tecnoblog e TechCrunch.

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