Polícia Federal desmantela esquema de fraude na importação de bicicletas em Juiz de Fora

A Polícia Federal de Juiz de Fora e a Receita Federal deflagraram, nesta terça-feira (13), uma operação para repressão a uma organização criminosa que praticava crime de descaminho e contra a ordem tributária, com a importação de bicicletas de alto valor agregado, oriundas dos Estados Unidos (EUA), com a utilização de notas fiscais supostamente falsas. De acordo com as investigações, bikes, cujo valor deveria ser em torno de R$ 70 mil, eram comercializadas pelos suspeitos pela metade do preço.

Conforme o delegado Cláudio Dornellas, responsável pelo inquérito, a cada importação do material, a União deixava de arrecadar pelo menos R$ 24 mil, considerando a alíquota de importação de 74% da Receita Federal para a importação do produto. Levando-se em conta o número de itens vendidos no esquema, o prejuízo pode ser milionário aos cofres públicos. “Nos últimos cinco anos, de cada dez bicicletas (de alto valor) comercializadas na região, eles venderam de sete a oito. Só na casa de um dos envolvidos, nós encontramos três dessas”, afirmou. Após a chegada no país, o material era encaminhado para Juiz de Fora, onde o grupo comercializava o produto nas lojas especializadas, com preços abaixo do mercado. “As investigações apontaram que algumas das lojas davam suporte ao esquema, com uso de notas fiscais falsas para dar aparência de legalidade na venda. No mercado comum, cada bicicleta era vendida a R$ 70 mil, enquanto a oriunda do esquema clandestino custava cerca de R$ 45 mil. No exterior, eram comercializadas por cerca de US$ 10 mil, cada unidade”, ressaltou Dornellas.

Intitulada Operação Bike 345, os agentes cumpriram cinco mandados de busca e apreensão em três lojas especializadas, na área central da cidade, e em duas residências à procura de materiais relacionados à investigação e ação fiscal para apurar responsabilidade dos envolvidos na esfera administrativa, com relação à sonegação de impostos. Os locais não foram divulgados pela PF, uma vez que ainda fazem parte da investigação. Os mandados foram autorizados pela juíza da 4ª Vara da Justiça xc Federal em Juiz de Fora, Maria Lina Silva do Carmo.

Ainda de acordo com o delegado, a investigação já apontou que o esquema também ocorria na cidade de Três Rios (RJ). “São pessoas da região que têm alto poder aquisitivo e querem adquirir as bicicletas, mas não querem pagar o valor devido. É uma bike utilizada para trilha e é considerada a “Ferrari” das bicicletas”, enfatizou.

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Specialized Turbo Levo FSR S-Works 6 Fattie / Foto divulgação

O esquema

A operação foi deflagrada após cinco anos de investigações. Segundo o inquérito, as bicicletas do modelo Specialized Turbo Levo FSR S-Works 6 Fattie vinham dos Estados Unidos e entravam no país de forma clandestina, sem pagamento de impostos. Em um dos casos descobertos pela Polícia Federal no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), o material entrava com aparência de ser usado, como se fosse propriedade de um dos envolvidos, e não tivesse sido adquirido no exterior. Na interceptação em São Paulo, foram encontradas diversas notas fiscais em branco de lojas de Juiz de Fora.

Além das investigações coordenadas na delegacia em Juiz de Fora, alguns dos envolvidos também são investigados pelo mesmo crime na delegacia do Aeroporto de Guarulhos. Além do crime de receptação e contra a ordem tributária, os envolvidos podem responder por ameaça.

As penas isoladas podem chegar a dez anos de reclusão. Já os compradores do material ilícito podem ser enquadrados no crime de receptação, que é o ato de adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, produtos de crimes. A pena pode atingir até quatro anos de prisão e multa.

Ninguém foi preso durante as diligências. “As pessoas que vendem são investigadas pelo crime de descaminho, ameaça e falsificação ideológica, porque estavam falsificando notas fiscais, para dar cobertura legal ao equipamento. No caso da ameaça, uma pessoa que comprou uma bicicleta não teve o produto entregue. Ela foi reclamar e foi ameaçada de morte pelo vendedor, caso denunciasse às autoridades competentes”, relatou Dornellas.

Segundo ele, as pessoas que adquiriram as bikes ainda estão sendo investigadas. “Elas já foram identificadas e já começaram a ser intimadas. Não estamos ainda encarando o consumidor local como um criminoso, porque estamos precisando do apoio deles, inclusive, para que venham aqui e apresentem as bicicletas e justifiquem a compra”, explicou o delegado, acrescentando que são várias as pessoas já identificadas, mas sem detalhar o número preciso.

Rota
O inquérito continua em andamento e também irá apurar a importação de três bicicletas apreendidas durante a operação. Elas chegaram ao Brasil pelo Aeroporto de Guarulhos (SP). “São três bicicletas da mesma marca, sendo uma para adolescente e duas para crianças. Elas serão periciadas para determinar se são, de fato, da marca Specialized, pois apresentam características de uso”, disse Dornellas, lembrando que a rota utilizada pela quadrilha é Miami (EUA), São Paulo ou Rio de Janeiro, no Brasil, de onde partem para Juiz de Fora, a fim de serem distribuídas para a região da Zona da Mata.

Com informações de Tribuna de Minas e JF Clipping

14 comentários em “Polícia Federal desmantela esquema de fraude na importação de bicicletas em Juiz de Fora”

  1. A desculpa do “imposto é roubo” .. “a carga tributária é alta” soa da mesma forma “só foi estuprada pq tava de roupa provocante” , “só foi assediada e violentada pq tava sozinha”.

  2. Exatamente…aqui estamos no máximo sobrevivendo!!! Nascer nessa desgraça de país só pode ter uma finalidade: pagar pecado.

  3. Bem isso, está quantidade absurda de imposto pra nada! Não temos educação, segurança, saúde , nada. Aí fdp dos políticos enchendo o rabo de dinheiro.

  4. O problema é que o brasileiro paga! Não está caro 74% de imposto, por que o brasileiro paga, não está caro gasolina 5 reais por que o brasileiro paga, diferente de outros países que se a batata, ou a gasolina amanhece mais com preços exorbitantes as pessoas não compram e não pagam com isso o mercado é forçado a recuar.

  5. 0% em imposto, eu não preciso de carro novo eu quero uma bike boa ao meu nível de pedal, evoluir poder ir trabalhar de bike e ter condições de mater a manutenção em dia,,, isso é um sacrifício no Brasil :::estamos sobrevivendo nesse país e não vivendo. Bom pedal

  6. “São pessoas da região que têm alto poder aquisitivo e querem adquirir as bicicletas, mas não querem pagar o valor devido.”.
    Elas já pagaram o valor devido o resto é extorsão.
    #impostoéroubo

  7. O pior é escutar dos clientes que as lojas querem explorar os consumidores… que a bicicleta lá fora custa metade do valor e assim por diante… ninguém avalia a carga de imposto que o micro empresário/lojista paga para o governo quando trabalha certinho…

  8. Pais miserável empurra a população a cometer esses crimes aí me pergunto qual dos roubos impacta mais na vidas dos brasileiros ? Será a quadrilha ou esse governo ?

  9. Hahaahha, é uma vergonha essa tributaçao brasileira, isso é o que leva o microempreendedor a fazer esse tipo de coisa ja paga-se uma porrada de imposto interno e pagar mais 74% de aliquota de importação deprimente mesmo.

  10. Porque nis Brasileiros pagamos tanto imposto. Uma bike ajuda tanto na saúde no bem estar e nas amizades. E o nosso governo não vê uma. Oisa dessa 74% é brincadeira. E nos logistas como ficamoscom esse contrabando também?

  11. FOI A PRIMEIRA COISA QUE PENSEI, TRABALHO COM BICICLETAS E SEI O QUANTO É PAGO DE IMPOSTO É MUITO ALTO MESMO

  12. Aí você lê “considerando a alíquota de importação de 74% da Receita Federal” e vê que na verdade os bandidos não são os caras que vendiam bikes importadas por metade do preço.

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