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Vela Bikes prepara o pedido de falência

Apesar do notável crescimento nos últimos dois anos, as vendas da startup brasileira de bicicletas elétricas, Vela Bikes, aumentaram 50% em 2022 e 40% em 2023. No entanto, a empresa enfrentou a perda de apoio de alguns investidores originais, que passaram a pressionar pela recuperação do capital investido entre 2016 e 2018. Infelizmente, a empresa não conseguiu resolver a questão legalmente e terá que encerrar suas atividades no início deste ano. Com planos de realocar a fábrica para a Zona Franca de Manaus, a empresa esperava aproveitar os benefícios fiscais da região para equilibrar suas finanças, diante dos crescentes encargos tributários em São Paulo.

"A pressão dos antigos investidores por reembolso, que se intensificou nos últimos meses, começou a afetar negativamente o interesse por novos investimentos, e a falta de alinhamento inviabilizou a mudança", explica Victor Cruz, CEO e fundador da Vela.
Próximos passos

Nas próximas semanas, a empresa planeja leiloar vários ativos. Isso inclui a marca, o projeto, o aplicativo e a participação na Vela EUA – que continuará operando normalmente. Além disso, serão leiloados o site, o sistema, os veículos, as máquinas, o estoque, as peças, os equipamentos e o plano de transferência para Manaus. Este plano foi aprovado por autoridades estaduais e federais.

“Ou seja, ainda existe a possibilidade de um terceiro adquirir os ativos com o objetivo de manter a marca e recomeçar.”

A empresa prioriza a resolução das contas com os colaboradores até o final de janeiro. Em segundo lugar, pretende fornecer autonomia de suporte para bicicletarias, atendendo clientes que dependem da Vela como ponto de suporte e assistência técnica.

“Devemos abrir toda a nossa cadeia de fornecedores (são mais de 80 companhias nacionais e internacionais) e oferecer condições para que eles possam assumir e continuar com o atendimento.”
Falta apoio

Victor Cruz considera crucial o governo apoiar o setor de bicicletas, principalmente as elétricas. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), mais de 15 milhões de brasileiros, cerca de 7%, usam a bicicleta como principal meio de transporte. A Aliança Bike relata que as vendas de e-bikes cresceram em média 20% a 30% anualmente desde 2016, mas houve desaceleração em 2022. As vendas no mercado brasileiro atingiram 44.833 unidades naquele ano, um aumento de apenas 9,6% em relação a 2021.

O preço médio das bicicletas elétricas no Brasil foi estipulado em R$ 6.800,00. Para efeito de comparação, na Alemanha, que lidera a indústria de e-bikes na Europa, é possível adquirir uma por € 1.279. Atualmente, o salário mínimo na Alemanha é de € 1.584 por mês, o equivalente a R$ 8.491,49, enquanto o salário mínimo no Brasil é de R$ 1.412.

“Ainda falta muito para o Brasil alcançar todo o potencial desse mercado, mas eu gostaria de agradecer a todos aqueles que nos apoiaram e acompanharam a nossa história. Comecei o projeto da Vela em 2012, quando tinha 21 anos de idade, e foi a coisa mais importante que aconteceu na minha vida: uma iniciativa autoral, brasileira, com a produção no centro de São Paulo. Desenvolvemos nosso próprio aplicativo, nossa própria tecnologia eletrônica, e sempre lutamos para oferecer o melhor pós-venda do país. É muito triste, mas chegamos ao nosso limite e espero que as boas lembranças prevaleçam para todos, pois elas prevalecerão do lado de cá.” – conclui Victor.

Foto divulgação Vela Bikes

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