Relato de Alex Malacarne: do sonho ao pódio mundial

No esporte de alto rendimento, existem metas que parecem distantes demais — quase impossíveis — até o momento em que o trabalho diário começa a transformá-las em realidade. Esta é a história de uma trajetória construída com paciência, dúvidas, aprendizado e, acima de tudo, confiança no processo. Entre desafios, comparações inevitáveis e a evolução natural de quem cresce dentro do cenário internacional, o relato a seguir mostra como acreditar em um sonho — mesmo quando ele parece grande demais — pode mudar completamente a forma como um atleta se enxerga e redefine os limites do que é possível alcançar.


ALCANÇANDO O “IMPOSSÍVEL”

Desde o início da minha carreira profissional, nos primeiros contatos com meu treinador Henrique Perez Furtado, ele sempre reforçou algo que, por muito tempo, custei a acreditar: que eu tinha potencial para estar entre os melhores atletas do mundo. Ele dizia que eu poderia ser campeão mundial. Eu ouvia, mas precisava de algo concreto, algo físico, para realmente acreditar.

Naquele momento, nossa grande referência nacional era Henrique Avancini, que vencia etapas de Copa do Mundo e conquistava títulos mundiais. Mas ele já estava no auge da carreira, com mais de 30 anos, enquanto eu estava apenas começando, com 19 anos, dando meus primeiros passos no cenário internacional.

Com o passar dos anos, entrei na categoria Sub-23. No início dessa fase, meu parceiro de equipe Gustavo Xavier, que trilhava um caminho muito parecido com o meu, começou a conquistar pódios em etapas de Copa do Mundo — inclusive sendo o primeiro brasileiro a alcançar esse feito na Sub-23. Eu ainda não. E isso trouxe dúvidas.

Será que eu consigo? Será que eu sou capaz?

As competições seguiram, o tempo passou e, junto com ele, veio o amadurecimento — como atleta e como pessoa. Em 2023, conquistei meu primeiro pódio em Copas do Mundo, um marco que mudou completamente a forma como eu me enxergava dentro do esporte. A partir daquele momento, tudo começou a ficar mais tangível. Aqueles sonhos e metas de estar entre os melhores do mundo começaram, de fato, a se concretizar.

Mas foi em 2024, no meu último ano na categoria Sub-23, que vivi o momento mais histórico da minha carreira. Na etapa da Copa do Mundo no Brasil, conquistei um pódio diante do público brasileiro. Subir ao pódio na maior competição do esporte mundial, em casa, com a torcida vibrando, foi algo simplesmente indescritível — uma energia que lembrava finais de Copa do Mundo no futebol, quando o Brasil era protagonista.

Ainda naquele ano, finalizei a temporada com mais um pódio na última etapa do calendário, concretizando minha passagem pela Sub-23. Entramos para a história do esporte brasileiro: eu e o Gustavo somos os únicos atletas do país a conquistarem pódios em etapas de Copa do Mundo na categoria Sub-23.

Essa trajetória reforça uma convicção que levo comigo todos os dias: acreditar no processo, confiar em quem caminha ao seu lado e entender que resultados de alto nível são construídos com tempo, resiliência e consistência.


Fotos divulgação

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