Projeto já formou mais de 2,4 mil pessoas e fortalece geração de renda nas periferias
A bicicleta tem ganhado um novo significado para moradores da Zona Leste de São Paulo. Além de servir como meio de transporte, ela também abre portas para geração de renda, empreendedorismo e autonomia. Essa transformação acontece por meio do Viver de Bike, curso gratuito promovido pelo Instituto Aromeiazero que capacita moradores de territórios periféricos em mecânica de bicicletas, gestão financeira, empreendedorismo e mobilidade urbana.
Criado em 2016, o projeto já formou mais de 2.400 pessoas em diferentes regiões do Brasil. Na edição Viver de Bike Zona Leste 2025/2026, patrocinada pelo Itaú Unibanco, o programa recebeu mais de 400 inscrições e concluiu a formação de dezenas de participantes de bairros como Jardim Pantanal, União de Vila Nova, Jardim Lapena, Itaquera e Ermelino Matarazzo.
Aprendizado prático gera novas oportunidades
O curso adota uma metodologia prática. Durante as aulas, cada participante reforma uma bicicleta completa e recebe o veículo ao final da formação.
A iniciativa permite que os alunos utilizem a bicicleta para diferentes finalidades, como deslocamento diário, trabalho e criação de pequenos negócios. O aprendizado em mecânica amplia a autonomia técnica dos participantes e reduz a dependência de serviços especializados para manutenção dos veículos.
Segundo Karen Carneiro, coordenadora do projeto, a busca pelo curso reflete necessidades concretas da população.
“O curso é buscado principalmente como ferramenta de autonomia técnica, geração de renda e melhoria da mobilidade urbana, evidenciando a bicicleta como meio de sobrevivência, trabalho e emancipação social”, afirma.
Histórias que mostram o impacto da formação
Entre os participantes está Luzia Amancio, de 49 anos, moradora de São Miguel Paulista. Sem experiência anterior com bicicletas, ela decidiu aprender a pedalar para realizar o sonho de vender doces utilizando a bike como ferramenta de trabalho.
Outra participante é Luciana de Lima, de 42 anos, também moradora de São Miguel Paulista. Integrante da primeira turma do Viver de Bike Zona Leste, ela encontrou na formação uma oportunidade para ampliar conhecimentos e explorar novas possibilidades de empreendedorismo e geração de renda.
As trajetórias das duas alunas ilustram o impacto social da iniciativa, que busca criar oportunidades concretas de desenvolvimento econômico e mobilidade para moradores da periferia.

Inclusão social e diversidade como pilares do projeto
O Viver de Bike também se destaca pelos resultados relacionados à inclusão social. Entre os participantes das cinco turmas já realizadas, mais de 75% se autodeclaram pessoas negras, entre pretas e pardas.
A maioria dos alunos vive com renda de até dois salários mínimos. O projeto também registra participação significativa de mulheres cisgênero, pessoas trans, pessoas não binárias e travestis. Todos os participantes são moradores da Zona Leste da capital paulista.
Fortalecimento das redes comunitárias
As atividades acontecem em parceria com iniciativas locais, como a Unidiversidade da Quebrada e o Galpão ZL.
Além das aulas, o programa promove eventos abertos à população por meio da série “Viver de Bike Convida”. Os encontros reúnem oficinas de mecânica comunitária, pedaladas coletivas, atividades culturais e ações voltadas à valorização da memória dos territórios.
Uma das edições mais recentes aconteceu no Jardim Lapena e reuniu dezenas de participantes em um mutirão de mecânica acompanhado por apresentações de samba.
Bicicleta como ferramenta de transformação social
Ao longo de quase uma década de atuação, o Viver de Bike consolidou a bicicleta como instrumento de inclusão, autonomia e desenvolvimento econômico. O projeto demonstra como o acesso ao conhecimento técnico pode ampliar oportunidades de trabalho, fortalecer o pertencimento comunitário e contribuir para uma mobilidade mais acessível nas periferias urbanas.
Mais informações sobre o projeto estão disponíveis em Instituto Aromeiazero – Viver de Bike.
Sobre o Instituto Aromeiazero
O Instituto Aromeiazero é uma organização sem fins lucrativos que utiliza a bicicleta como ferramenta para reduzir desigualdades sociais e promover cidades mais resilientes. Desde 2011, a entidade desenvolve projetos voltados para mobilidade, geração de renda, cultura, saúde e fortalecimento comunitário, com foco em periferias e comunidades em situação de vulnerabilidade.
Foto divulgação
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