A 75ª edição da Prova 9 de Julho reuniu a elite do ciclismo brasileiro e marcou o retorno dos amadores. As vitórias vieram após sprints decididos por diferenças mínimas na Marginal Pinheiros.
A 75ª Prova Ciclística Internacional 9 de Julho definiu nesta quinta-feira (9) seus novos campeões na pista expressa da Marginal Pinheiros, em São Paulo. Kácio Freitas (Emthos Racing) venceu a Elite masculina, enquanto Thayná Araujo de Lima (Santos Cycling Team/Fupes) conquistou a Elite feminina. A edição também marcou o retorno dos ciclistas amadores, reunindo 1.500 participantes na mais tradicional competição de ciclismo do Brasil.
A prova reforçou o peso histórico da Prova 9 de Julho ao reunir atletas de alto nível técnico e devolver espaço aos ciclistas não federados. O formato ampliou a participação popular sem deixar de valorizar a disputa entre as principais equipes do país.
Prova 9 de Julho teve decisão emocionante na Elite masculina
A corrida masculina percorreu 100 quilômetros em circuito totalmente plano e terminou exatamente como muitos esperavam: com um sprint entre os favoritos.
Kácio Freitas acelerou nos metros finais e cruzou a linha de chegada em 2h12min05s835, apenas 119 milésimos de segundo à frente do tetracampeão Francisco Chamorro (Andbank Cycling Team-Pindamonhangaba).
A diferença mínima também apareceu nas posições seguintes. João Gaspar (WK Team), Thiago Duarte Nardin (Nardin-Ribeirão Preto) e Igor Teodoro Molina (Andbank Cycling Team-Pindamonhangaba) completaram os cinco primeiros separados por menos de meio segundo.
“Gosto muito de correr a 9 de Julho. Sabia que neste ano, com circuito plano, seria rápida e decidida na chegada. Acelerei e deu certo. Essa era a minha prova alvo e hoje saio de São Paulo como campeão. Estou muito feliz com a conquista, pois significa escrever meu nome na história do ciclismo. É uma disputa especial e sei que uma vitória dessas é para poucos. Estou honrado por vencer essa Clássica de renome internacional. Espero conseguir chegar ao lugar mais alto do pódio muitas vezes mais”, afirmou Kácio Freitas.
Vice-campeão, Francisco Chamorro destacou a tradição da competição e reconheceu o desempenho do vencedor.
“É uma corrida muito tradicional e tive o privilégio de vencer quatro vezes. E, neste ano, correr em um circuito na Marginal, onde passam milhares de carros todos os dias, é um privilégio. E isso vale para nós e também para os amadores. Ganhar ou perder faz parte do esporte. Entreguei tudo que tinha e desta vez foi um segundo lugar. Parabéns ao Kácio.”
Thayná conquista a Prova 9 de Julho pela primeira vez
Na Elite feminina, o roteiro foi semelhante. Após 75 quilômetros de prova, as tentativas de fuga não prosperaram e a decisão ficou para os metros finais.
Thayná Araujo de Lima venceu com 2h23min39s246, superando a tetracampeã Luciene Ferreira por apenas 76 milésimos de segundo. Nicolle Borges terminou na terceira colocação, seguida por Alice Melo e Carolina Barbosa Alves do Nascimento.
A ciclista santista comemorou o resultado, que representa seu primeiro pódio da temporada.
“Como foi uma prova totalmente plana, eu imaginava que seria decidida na chegada. Tivemos ataques e tentativas de fuga, mas mantive a concentração para decidir perto da linha de chegada. Eu estou muito feliz. Foi meu primeiro pódio na temporada depois de um começo do primeiro semestre um pouco difícil. É um resultado que mostra que sou capaz e que eu estou no caminho certo.”
Retorno dos amadores amplia a participação na Prova 9 de Julho
Uma das principais novidades da edição comemorativa foi a volta dos ciclistas amadores ao evento.
Ao todo, 1.500 participantes estiveram inscritos, retomando uma característica histórica da competição após anos voltada exclusivamente ao alto rendimento.
Segundo Erick Castelhero, diretor executivo da prova, a organização pretende manter esse formato nas próximas edições.
“Concluímos mais uma edição da 9 de Julho e estamos felizes com o sucesso da edição 75. Reunimos um número expressivo de amadores. Foram 1.500 inscritos nessa retomada da participação de ciclistas não federados e já estamos pensando na prova de 2027. Vamos trabalhar para manter e solidificar esse formato, que valoriza tanto os ciclistas de elite quanto o caráter democrático da bicicleta.”
Resultados da Elite
Elite masculina
- Kácio Freitas (Emthos Racing) – 2h12min05s835
- Francisco Chamorro (Andbank Cycling Team-Pindamonhangaba) – 2h12min05s954
- João Gaspar (WK Team) – 2h12min06s071
- Thiago Duarte Nardin (Nardin-Ribeirão Preto) – 2h12min06s075
- Igor Teodoro Molina (Andbank Cycling Team-Pindamonhangaba) – 2h12min06s219
Elite feminina
- Thayná Araujo de Lima (Santos Cycling Team/Fupes) – 2h23min39s246
- Luciene Ferreira (Andbank Cycling Team-Pindamonhangaba) – 2h23min39s322
- Nicolle Borges (ABEC Rio Claro) – 2h23min39s390
- Alice Melo (Santos Cycling Team) – 2h23min39s412
- Carolina Barbosa Alves do Nascimento (Indaiatuba Cycling Team) – 2h23min39s528
Tradição do ciclismo brasileiro
Criada em 1932 pelo jornalista Cásper Líbero em homenagem à Revolução Constitucionalista, a Prova 9 de Julho integra a história do ciclismo brasileiro desde 1933. Ao longo das décadas, a competição reuniu grandes nomes da modalidade e segue como uma das principais clássicas do calendário nacional.
A organização informou que já iniciou o planejamento da edição de 2027, buscando consolidar o modelo que reúne atletas da elite e ciclistas amadores.
Fotos divulgação Gabriel Pereira / Fundação Cásper Líbero
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