Estudo em São Paulo aponta que ciclistas pedalam até 18% mais rápido em vias com infraestrutura dedicada; pesquisa também revela riscos nas ultrapassagens.
O Bike Itaú completa 15 anos com mais de 107 milhões de viagens realizadas e reforça o papel da bicicleta na mobilidade urbana brasileira. Para marcar a data, o programa apresenta dados de uma pesquisa do Instituto Cordial que mostram como a infraestrutura cicloviária melhora a eficiência dos deslocamentos, enquanto a proximidade dos veículos nas ultrapassagens evidencia desafios para a segurança dos ciclistas.
O levantamento percorreu mais de 10 mil quilômetros pelas ruas de São Paulo e identificou velocidades cerca de 18% maiores em locais com ciclovias e ciclofaixas. Ao mesmo tempo, três em cada quatro ultrapassagens ocorreram a menos de 1,5 metro dos ciclistas, distância mínima prevista pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Bike Itaú completa 15 anos com mais de 107 milhões de viagens
Criado em parceria com a Tembici, o Bike Itaú se consolidou como um dos principais sistemas de bicicletas compartilhadas da América Latina. Desde o início da operação, o programa acumulou quase 6 milhões de cadastros e cerca de 5 milhões de usuários.
Os números também mostram a dimensão dos deslocamentos: os usuários percorreram 468 milhões de quilômetros, evitando a emissão de mais de 33 mil toneladas de CO₂, segundo os dados divulgados pelo programa.
A iniciativa integra a estratégia de transição climática do Itaú Unibanco, que busca apoiar a descarbonização dos transportes e ampliar o acesso à mobilidade ativa.

Infraestrutura cicloviária aumenta a velocidade dos ciclistas
A pesquisa do Instituto Cordial, apoiada pelo Itaú Unibanco, identificou uma diferença importante no desempenho dos deslocamentos. Em vias com infraestrutura dedicada, os ciclistas alcançaram velocidades cerca de 18% maiores.
O resultado reforça a importância de ciclovias e ciclofaixas para tornar a bicicleta uma alternativa mais eficiente nas cidades. Além de contribuir para a segurança, esses espaços podem favorecer trajetos mais rápidos e previsíveis.
O estudo utiliza um equipamento desenvolvido pelo Instituto Cordial em parceria com organizações alemãs, com financiamento da FAPESP e reconhecimento pelo selo Bicicleta Brasil, do Ministério das Cidades.
Com sensores e inteligência artificial, o dispositivo monitora indicadores relacionados à segurança viária, à convivência com o tráfego e às condições do ambiente urbano.
Pesquisa revela risco nas ultrapassagens em São Paulo
Apesar dos avanços na infraestrutura, o levantamento identificou situações preocupantes no trânsito paulistano. Três em cada quatro ultrapassagens aconteceram a menos de 1,5 metro dos ciclistas.
O cenário é ainda mais crítico na Zona Leste, onde os veículos passam, em média, a apenas 55 centímetros dos ciclistas. Essa distância equivale a aproximadamente metade da registrada no restante da cidade.
Os dados reforçam a necessidade de melhorar a convivência entre motoristas e ciclistas. O Código de Trânsito Brasileiro estabelece uma distância lateral mínima de 1,5 metro durante a ultrapassagem de bicicletas.
Para ampliar a segurança, o estudo aponta a importância de combinar infraestrutura dedicada, planejamento urbano e medidas que favoreçam o respeito aos usuários mais vulneráveis do trânsito.
Uso da bicicleta cresce nas cidades brasileiras
Tomás Martins, CEO e cofundador da Tembici, destaca a expansão da bicicleta como meio de transporte ao longo dos últimos 15 anos.
“Quando o Bike Itaú começou, as viagens de bicicleta representavam 2% do total de viagens realizadas nas cidades. Hoje, esse número está em torno de 6%. Ao longo desses anos, vimos os quilômetros de ciclovias quase triplicarem e sabemos que fazemos parte dessa história. É muito especial perceber o quanto avançamos juntos e como a bicicleta conquistou espaço na rotina de milhares de pessoas”, afirma.
Segundo Martins, mais de 300 mil pessoas utilizam mensalmente os sistemas operados pela empresa. Ele também aponta a eletrificação e a integração com outros meios de transporte como caminhos para ampliar as possibilidades da bicicleta na mobilidade urbana.

Bike Itaú registra resultados em diferentes cidades
Os indicadores do programa mostram diferenças importantes entre as cidades atendidas pelo sistema.
No Rio de Janeiro, o Bike Rio já ultrapassou 65 milhões de viagens. Em Salvador, o uso do serviço cresceu 271% entre 2018 e 2025.
Em São Paulo, a estação Largo da Batata acumula mais de 650 mil viagens, consolidando-se como um dos pontos de destaque do sistema na capital paulista.
O programa também apresenta resultados relacionados à participação feminina. A proporção de mulheres entre os usuários do Bike Itaú é seis vezes maior do que a observada entre ciclistas em geral no Brasil, conforme os dados divulgados pela iniciativa.
Itaú amplia investimentos em mobilidade urbana
Além do sistema de bicicletas compartilhadas, o Itaú Unibanco apoia organizações e projetos ligados à mobilidade. Em 2025, o banco apoiou 11 organizações do setor e destinou R$ 52,8 milhões em investimento social privado não incentivado para iniciativas relacionadas ao tema.
Para Luciana Nicola, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do Itaú Unibanco, os dados ajudam a orientar os próximos passos dessa agenda.
“Os últimos 15 anos mostraram que a bicicleta conquistou um papel cada vez mais relevante na mobilidade das cidades brasileiras. Ao mesmo tempo, os dados revelam que ainda existem desafios importantes para tornar esse deslocamento mais seguro, eficiente e acessível. Para o Itaú, apoiar essa agenda significa combinar soluções concretas, produção de conhecimento e articulação entre diferentes setores para acelerar transformações que contribuam para cidades mais sustentáveis e para uma economia de baixo carbono.”
Debate sobre o futuro da bicicleta nas cidades
A divulgação da pesquisa integra a programação de aniversário do Bike Itaú, que reúne especialistas para discutir os avanços, desafios e oportunidades da mobilidade urbana no Brasil.
O encontro também aborda o papel da bicicleta na construção das cidades do futuro, com destaque para a segurança viária, a infraestrutura cicloviária e a integração entre diferentes meios de transporte.
Os resultados reforçam que ampliar o uso da bicicleta depende não apenas de estimular novos usuários, mas também de oferecer condições adequadas para deslocamentos seguros, eficientes e acessíveis.
Fotos divulgação
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