Prodígios Devon Briggs e Xiaomei Wang fazem história na Classe C3; Alexandre Léauté estabelece seu segundo recorde no Mundial do Rio na Classe C2
Neste sábado, houve novos recordes mundiais em corridas de bicicleta. Na classe C3 feminina, a canadense Mel Pemble quebrou seu próprio recorde. Mas a chinesa Xiaomei Wang andou ainda mais rápido e se tornou a nova recordista, ganhando o título mundial. No masculina da classe C3, o neozelandês Devon Briggs, de 20 anos, quebrou o recorde mundial do contrarrelógio na classificatória e voltou a quebrá-lo na final, garantindo seu primeiro título mundial.
Na etapa eliminatória, o atleta da Nova Zelândia completou um trajeto de um quilômetro em 1:05:357, superando o antigo recorde de 1:05.525 estabelecido pelo britânico Jaco Van Gass em 2022. Na final, ele cruzou a linha de chegada em 1:05.259, quebrando seu próprio recorde e conquistando a primeira medalha de ouro em Mundiais. Anteriormente, ele conquistou duas medalhas de prata em 2022 e três medalhas de bronze em 2023. O atleta também havia quebrado o recorde da Flying Start (Omnium) alguns dias antes, correndo 200 metros em 10,919 segundos, superando o feito do estadunidense Jason Kimball (11,141” em 2018).
"Nem nos meus melhores sonhos eu poderia imaginar algo desse tipo. Vim para esta competição querendo colocar todo os meus melhores esforços na pista e superei minhas próprias expectativas de todas as formas possíveis. Quebrar o recorde da Flying Start foi incrível. Trazer isso para o contrarrelógio e quebrá-lo também hoje de manhã, e depois quebrar meu próprio recorde na final… isso é algo que eu jamais imaginei que faria quando era um menininho de 10 anos começando a pedalar", emocionou-se.
O ciclista da Nova Zelândia ainda está competindo por duas medalhas de ouro no Rio,. Nas categorias Scratch e Omnium, provas em que se tornou líder após seu excelente desempenho no Velódromo do Rio. Mas ele também está empolgado com sua estreia nos Jogos Paralímpicos e explica como planeja se preparar para esses novos desafios, com a experiência de um atleta veterano. Ele não participou das Olimpíadas de Tóquio porque estava a apenas 13 dias de completar a idade mínima.
“O feito nas eliminatórias me fez ter confiança em mim mesmo de que eu conseguiria fazer um contrarrelógio rápido, mas também colocou um pouco de pressão para sustentá-lo. Eu sabia lá no fundo que eu já tinha feito isso antes e que poderia fazer de novo. No fim, consegui dar meu melhor na prova e cá estamos. É preciso viver um dia de cada vez, uma corrida de cada vez. Viremos aqui pela manhã e teremos as eliminatórias do Sprint por equipes - se vamos nos classificar para a final ou não, é esperar para ver -, depois Scratch e a eliminação no fim do dia. Quanto aos Jogos Paralímpicos, seria um sonho realizado se eu pudesse participar e ganhar medalhas por lá. Temos que esperar a classificação, ver se conseguimos a vaga e ver no que dá", disse.






No feminino
Entre as mulheres da C3, a canadense Mel Pemble fez os 200 metros da Flying Start (Omnium) em 12,651 segundos, superando seu próprio recorde mundial de 12,666 segundos, estabelecido em 2022. Mas a chinesa Xiaomei Wang terminou a corrida em 12,506 segundos. Foi só o começo de um dia que iria coroar a nova campeã de tudo na categoria.
Aos 23 anos, Wang chegou ao Rio sem ter conquistado nenhum ouro em competições internacionais. Até então, tinha conquistado três medalhas de prata (incluindo no Mundial e nos Jogos Paralímpicos) e duas de bronze, mas tudo mudou quando conquistou o ouro no contrarrelógio na quarta-feira. A partir daí, só obteve vitórias: tornou-se a nova campeã mundial de perseguição individual na sexta, estabeleceu um recorde mundial de manhã e, à tarde, ganhou o ouro também no Scratch.
Assim, ganhando todas as provas, que Wang venceu a Omnium, que premia os ciclistas mais versáteis e resistentes. Os ciclistas ganham pontos com base no seu desempenho em quatro disputas diferentes: contrarrelógio, perseguição individual, scratch e flying 200 m. Wang fez 160 pontos de 160 possíveis. Aniek Van Der Aarssen ficou em segundo lugar com 146 pontos, e Pemble ganhou o bronze com 138 pontos.
“Eu estou muito animada por esses resultados e adorando a organização e a competição que encontrei aqui. Ontem venci a perseguição individual, hoje a Scratch e a Omnium, é a primeira vez que consigo ser campeã mundial e eu estou muito feliz por isso. Mas, daqui para frente, tudo isso zerou e minha cabeça já está nos meus grandes objetivos para Paris. Espero conseguir essa vaga e conquistar todos os ouros por lá", disse.
Mais recordes
Outros dois recordes mundiais foram quebrados neste sábado por quem já os possuía. Na perseguição individual da Tandem masculina, Tristan Bagma e o piloto Patrick Bos completaram o percurso de 4 km em 3:58.397, superando sua própria marca de 3:58.766, estabelecida no Mundial do ano passado. No contrarrelógio da Classe C2 masculina, Alexandre Léauté, de 23 anos, fez o percurso em 1:08.358 e bateu seu tempo de 1:08.365, conquistado em 2022. Ele já havia conquistado o ouro da perseguição individual na quarta-feira.
Ao todo, treze provas foram realizadas neste sábado. A Grã-Bretanha está na liderança com 19 medalhas, seguida pela China com 13 e pela França com 11. O Brasil conquistou duas pratas e está em oitavo lugar.
Fotos divulgação Miriam Jeske / CBC
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