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UCI libera rodas 32” no MTB a partir de 2026

Caminho aberto para rodas maiores

A União Ciclística Internacional (UCI) decidiu não impor limite de tamanho de roda no mountain bike em 2026. Com isso, equipes e marcas ganham sinal verde para alinhar bikes com rodas de 32 polegadas em provas oficiais de XC, Downhill e outras disciplinas do MTB já na próxima temporada.

A confirmação veio após semanas de especulação no paddock. Fabrice Tiano, gerente sênior de comunicação da UCI, reforçou a visão de que a modalidade funciona como laboratório de inovação e, por isso, a entidade não pretende barrar a nova medida.

Protótipos já rondam a Copa do Mundo

Mesmo antes do aval oficial, algumas fabricantes aceleraram testes discretos — e outras nem tanto. A BMC puxou o movimento ao levar para a etapa de Andorra da Copa do Mundo um protótipo da Fourstroke com rodas 32”, pilotado por Titouan Carod em sessões de treino. A bike não largou nas corridas, mas serviu para coleta de dados em pista real.

Outras marcas também mostram interesse. Engenheiros e departamentos de P&D já trabalham em quadros, suspensões e geometrias que acomodem o novo diâmetro, de olho em uma janela de mercado que pode reaquecer lançamentos no XC de alta performance.

Por que as rodas grandes atraem o XC?

Os testes com 32” miram um ganho de desempenho sobre as atuais 29”. A roda maior tende a rolar com menos resistência em trechos irregulares, porque “achata” melhor os obstáculos. Além disso, pneus 32” oferecem maior volume de ar, permitem trabalhar com pressões mais baixas e aumentam a tração em terrenos soltos e técnicos.

O outro lado da moeda aparece no peso e na aceleração. A roda maior exige mais energia para arrancadas e mudanças rápidas de ritmo, um ponto sensível em circuitos modernos de XCO cheios de curvas fechadas e sprints curtos.

Debate sobre tamanho do atleta e equilíbrio esportivo

A novidade também reacende uma discussão sobre “vantagem seletiva”. Vários analistas apontam que atletas mais altos podem extrair mais benefício de rodas 32”, por terem mais espaço para encaixar o diâmetro sem sacrificar cockpit, altura do quadro ou manobrabilidade. Em contrapartida, a indústria ainda precisa provar que consegue entregar bikes 32” competitivas em tamanhos pequenos (XS e S), sem comprometer a condução.

Hoje, o XCO mantém equilíbrio entre pilotos de alturas bem diferentes usando 29”. A chegada das 32” pode mexer nesse cenário, dependendo de como as marcas resolverem a oferta de tamanhos.

Nada de “mullet” 32/29 por enquanto

Apesar do entusiasmo, a UCI mantém a regra que exige as duas rodas com o mesmo tamanho nas bikes de MTB. Então, montagens “mullet” com 32” na frente e 29” atrás ficam fora da Copa do Mundo de 2026. Ainda assim, muita gente aposta em experimentos futuros, especialmente no Downhill, onde a busca por estabilidade em alta velocidade costuma ditar tendências.

O que esperar para 2026

Com o regulamento liberado, 2026 deve virar o ano zero da era 32” no XCO. A pré-temporada já promete testes mais abertos, e as primeiras largadas com o novo padrão podem aparecer em etapas específicas da Copa do Mundo, sobretudo em pistas rápidas e com muita rolagem.

Se o desempenho confirmar a teoria, o MTB pode viver uma nova virada de mercado parecida com a transição do 26” para o 29”. Se os ganhos ficarem restritos a poucos biotipos ou a um estilo de pista, a tendência pode ficar nichada. A próxima temporada vai começar a responder essa pergunta.


Foto divulgação

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