Banda CO2 Zero: Música e sustentabilidade movidas a pedal

Reestreia com show 100% movido a pedaladas e reforça agenda climática

O encerramento do Projeto Sesc Verão 2026 no Sesc Santo André trouxe uma atração que une tecnologia e suor. A Banda CO2 Zero, pioneira em apresentações sustentáveis no Brasil, transformou a energia mecânica do público em som. O projeto utiliza o sistema do Pedal Sustentável para gerar eletricidade em tempo real, garantindo que a música só continue se as rodas estiverem girando.

A origem do projeto no interior de São Paulo

A iniciativa nasceu em 2008 pelas mãos do engenheiro eletricista José Carlos Armelin. Professor de mecatrônica em Santa Bárbara d’Oeste, Armelin buscava uma forma lúdica de ensinar sobre energias renováveis. Ele conectou um rádio a uma bicicleta e percebeu que a música despertava a atenção dos alunos para a crise climática.

Após superar a resistência inicial de órgãos públicos que não sabiam classificar o projeto entre esporte, cultura ou meio ambiente, Armelin encontrou na produtora Filó Silva a parceria ideal. Juntos, profissionalizaram a gestão e levaram o Pedal Sustentável para unidades do Sesc e grandes eventos corporativos em todo o país.

Tecnologia e inclusão sobre duas rodas

O funcionamento do show depende de seis bicicletas para adultos e duas infantis. Juntas, elas geram cerca de 600 watt-hora, carga suficiente para alimentar amplificadores e instrumentos. O projeto também se destaca pela acessibilidade: um monociclo adaptado permite que cadeirantes e crianças gerem energia utilizando as mãos.

“A descarbonização começa em cada um de nós quando priorizamos o transporte a pé ou de bicicleta”, afirma Armelin.

Números do Pedal Sustentável:

  • Alcance: 200 mil pessoas impactadas.
  • Engajamento: 36 mil participantes pedalaram nos eventos.
  • Energia: 180 mil watt-hora produzidos (equivalente ao consumo mensal de uma residência média).
  • Capitais: Presença em 10 capitais brasileiras nos últimos dois anos.

Novo repertório com influência da black music

A reestreia da banda traz um “upgrade” artístico. Filó Silva, que também assume os vocais, convidou músicos experientes da cena paulistana, com passagens por grupos como Funk Como Le Gusta e Clube do Balanço. O repertório agora inclui clássicos de Tim Maia, misturando o balanço da black music com a mensagem de preservação ambiental.

O impacto ambiental no setor cultural

A Banda CO2 Zero se diferencia de iniciativas globais, como a turnê Music of the Spheres do Coldplay, por não utilizar baterias externas para o som. Se o público para de pedalar, a música silencia. Embora a logística ainda utilize transporte rodoviário, o projeto compensa emissões com o plantio de mais de 400 árvores.

Para Filó Silva, o foco principal é a mudança de hábito. A estrutura mostra que a economia de recursos é o caminho mais curto para a sustentabilidade. O grupo inclusive marcou presença na COP30, em Belém, reforçando o papel da bicicleta como ferramenta de transformação social e climática.


Fotos divulgação Marcelo Macauê

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