Um susto ao pedalar na trilha em Ilha Grande

Pra quem não sabe, estou próximo de gravar um documentário na Ilha Grande, que visa percorrer todos 193km² da Ilha Grande, são 16 trilhas, que dão em média 100 quilômetros, em uma Mountain Bike, mostrando sua história e personagens característicos em cada vilarejo.

A ideia surgiu há alguns anos, sempre tive o sonho de mostrar o que ilha poderia proporcionar aos visitantes, não só experiências em praias, mas também nas trilhas. O documentário será um mix de belezas naturais, atividades físicas, história e muita aventura.

Além de contar a história, apresentará diversos locais que na maioria das vezes, são conhecidos apenas por caiçaras, estimulando assim, a vontade de explorar e retornar a ilha com uma outra visão do ambiente.

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Mapa da Ilha Grande

Há algumas semanas, estava na Ilha para algumas reuniões e como elas estavam marcadas para parte da manhã, resolvi levar minha bicicleta para tentar fazer alguma trilha e nova e até mesmo, um mapeamento do percurso. Já que ainda não conheço todas as trilhas da Ilha, apesar de ser Angrense. O dia estava lindo, um solzão! Típico para uma praia, cachoeira… Após conversar com uma atleta local, Tatiana Mariano, corredora de montanha, dona de diversos pódios e troféus e conhecedora das trilhas como a palma de sua mão, me aconselhou a fazer a que partia do Abraão até Lopes Mendes, cerca de 6km pra ir e mais 6km para voltar. Partiu!!!

Saí do Abraão por volta de 12h30 e precisava voltar até as 17h30 para pegar o barco. A subida até o topo para descer para a primeira praia, Palmas era bem legal, alguns pontos pedalando e a maioria empurrando, porém com um grande sorriso no rosto pois sabia que a volta seria super-hiper-ultra divertida! Muitas pedras, raízes, valas e com uma inclinação de média, trilha úmida e muito natural, sensacional! Por volta de 13h comecei a descida para a praia de Palmas, que era bem parecida com a subida, porém menos fluida, muitos pontos que tive que desclipar e descer da bike, faz parte! Não são trilhas projetadas para a bike, inclusive ninguém lá acredita que é possível uma bike naquelas trilhas.

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Foto arquivo pessoal

Nesses momentos, pensei logo comigo que para as gravações, a melhor opção de pedais são os plataformas, “flat pedals” como se costuma dizer, pois é mais fácil o manejo e também pelo fato da sapatilha ser flexível! Isso descansaria bastante os pés e pernas ao subir empurrando as trilhas.

Na descida, passei por muitos trechos técnicos e inclinados, a cerca de 50m do final, em um trecho praticamente plano, avistei um pedestre e parei a bicicleta para esperá-lo, faz parte das regras das trilhas. Assim que ele passou por mim, clipei para continuar a descida. Eis que o inesperado me acontece!

Ao clipar com a perna direita, me desequilibrei e a bike tombou para o lado direito da trilha, virando o guidão e me fazendo descer um precipício de quase 20 metros de altura. Foi como uma tirolesa sem corda, basicamente um Downhill sem chão! Eu bati com o peito e cotovelos em umas pedras enormes no fim do buraco.  Na hora meu cotovelo direito inchou muito e eu comecei a sentir muita dor em todo o braço, não tinha firmeza e toda vez me que mexia o braço era como se eu levasse um choque. A bike soltou e ficou presa em uma árvore no meio da queda.

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Foto arquivo pessoal

Nesse momento só agradecia a Deus por não ter acontecido “nada demais” e estar consciente e apenas com um braço ruim! A queda foi muito alta e direta em umas pedras. Eu estava com o capacete aberto e sem nenhum equipamento de segurança, além dos óculos. Infelizmente a câmera do capacete estava desligada no momento! Rs

Aí começou a saga, graças a Deus o pedestre prontamente desceu o barranco para me ajudar! Com muita dificuldade e dores, subi até minha bicicleta e a partir dai me pendurei nela e o cara me puxava junto com a bicicleta, depois de praticamente 1 hora até chegar de volta a trilha, estava completamente tonto e sem forças, além da dor que era imensurável!

Ele se prontificou em me ajudar a descer até a praia de Palmas, levou minha bicicleta e minhas coisas, a ideia era ali, conseguir um barco de volta para o Abraão e de lá Conceição de Jacareí, RJ, onde meu carro estava estacionado.

Infelizmente na praia não funcionava o sinal de celular, não tinha nenhum barco e a minha única opção era algum barqueiro passar do lado de fora e entrar na praia. Consegui gelo com alguns moradores e já fui colocando a fim de amenizar as dores! Depois de muito esperar, já eram umas 18h quando consegui um barco que iria até Conceição de Jacareí, praticamente 5 horas depois do acidente. Um morador conseguiu fazer contato via rádio e um barco saindo de outra praia, passou por lá.

Eu só queria chegar em casa! E como na minha vida, precisa sempre ter emoção… O tempo virou, entrou um vento muito forte e o bote, de alumínio, pequeno, hahaha! Só lembro-me do piloto me pedir pra colocar o colete salva vidas, falei pra ele: Irmão coloca na minha bike, pelo amor de Deus, eu me viro! (A gente não pensa no desespero, né? Ou pensa demais! Hahaha) Brincadeiras a parte, foi bem assustador e tenso! Mas chegamos ao cais, graças a Deus! Apenas molhados!

De lá, tinha mais 40 minutos até o Hospital de Angra dos Reis, foi bem difícil dirigir. A dor eu acho que já nem sentia mais de tão forte que era o braço estava muito inchado! Muito mesmo.

Ao chegar no Hospital, nem passei pela “classificação de risco”,  fui direto para o Raio X e ortopedia. No fim das contas, não houve nenhuma fratura, graças a Deus. Porém o médico resolver imobilizar com gesso, pois era uma luxação muito forte!

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Foto arquivo pessoal

E lá vamos nós! A enfermeira, muito gente boa fez tudo parecer flores! Após alguns dias, um hematoma na parte inferior do braço estava muito forte e inchado, pois o gesso não deixava ele se espalhar! Além da alergia que estava me causando, em 5 dias retirei o gesso e rapidamente o hematoma se espalhou e ainda o braço beeeem inchado!

Começamos o processo de recuperação com a Drª Thalita Ferreira, fisioterapeuta em Paraty-RJ. Iniciamos com ultra som e logo acupuntura, um processo que é utilizada agulhas para amenizar a inflamação e fazer com o que a lesão se recupere mais rápido, continuei com gelo (que é o melhor remédio de todos) além de anti inflamatórios. Após 1 mês, meu braço continua inchado, sinto dores e continuo a fisio.

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Foto arquivo pessoal

Voltei a pedalar, com uma espécie de tala de neoprene para dar mais firmeza ao braço, na academia fazendo apenas pernas! Mas o que não dá, é pra ficar parado! Rsrs

O que posso tirar dessa lição? Nunca pedalem sozinhos!! É bem complexo dizer isso, apesar de eu não ter ninguém da minha modalidade que possa me acompanhar nos treinos, tenho uma Dog Trail que me acompanha e me salva de algumas enrascadas (me arrastar de um buraco pela gola da blusa e até mesmo assustar uma onça na trilha) e quando são treinos mais longos, vou com mais gente.

Foi um simples, “vou ali e já volto”… Segurei a onda em todos os trechos perigosos da trilha e cai PARADO… Do jeito mais bobo possível e que gerou um transtorno surreal. Um risco de vida enorme, graças a Deus… Uma simples luxação.

Ao menos avisem pessoas, se atentem ao celular. Hoje no mercado contamos com diversos Apps e dispositivos de segurança, que avisam localização, avisam quando houver um acidente, que mostram a localização em tempo real.

Infelizmente no Brasil o socorro não é como lá fora, então quanto menos tempo perdemos nesses tipos de acontecimentos, podemos salvar uma vida!

Aproveito para agradecer as inúmeras mensagens que recebi perguntando como estava, etc. Isso me dá muita força para continuar a jornada! Muitíssimo obrigado a todos pelo carinho.

Valeu galera!
Eduardo Santos

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