Iêda Botelho relembrando momentos do início de sua da carreira

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Uma das boas coisas da vida é relembrar nossas histórias, principalmente as que nos emocionam.

No terceiro texto desta coluna, sigo o combinado. De pouco em pouco vou contando pra vocês a trajetória de uma longa experiência no ciclismo. Por enquanto, são 38 anos vivendo mergulhada neste esporte. Espero seguir os passos de Robert Marchant, que Deus permita! Pedalar até os 109 anos, simplesmente demais!!!

Apesar de ter experimentado a vida das baladas no fim da adolescência, sempre tive um espírito de atleta. Nas escola, adorava jogar voley e handball. Com meu primo Paulo, éramos quase invencíveis no ping pong. Tirar nossa dupla da mesa era muito difícil. Acreditem, jogávamos em torno de 6 horas por dia. Meus dedos viviam com esparadrapos pelo excesso de tempo segurando a raquete.

Quando o ciclismo entrou na minha vida, aos 18 anos, toda essa enegia foi pra bike. Na verdade, muito mais do que um esporte, o ciclismo se tornou meu estilo de vida. Tudo em volta passou a girar em torno da bicicleta: o horário de dormir, a alimentação, os lugares que frequentava, os amigos, até mesmo meus amores, todos tinham algum envolvimento com o ciclismo.

O início

Os primeiros treinos, fiz com uma bicicleta enorme, Caloi Sprint 10. Até achava que era ótima bike, nem imaginava o que poderia ser uma verdadeira máquina de competição. Logo os primeiros amigos do pedal me falavam: “Iêda, você precisa comprar uma bicicleta de verdade e saber o que é o ciclismo”. Lógico, não parei de pensar nisso, mas como vivia de mesada, desafio foi convencer meu pai a bancar esse sonho. Minha mãe, desde logo, comprou a ideia e percebeu o tamanho do meu entusiasmo e a mudança radical no meu estilo de vida. Ai, que saudade de minha maior torcedora, que mãe abençoada eu tive!

Meu pai frequentava uma loja de departamentos, na praça da Bandeira – Rio de Janeiro (não lembro o nome), pra atender aos funcionários do Banco do Brasil. Uma dessas vezes que meus pais foram fazer compras, fui com eles. Neste dia, ganhei a primeira speed de competição. A Caloi tinha recém lançado a “Caloi Triathon”. Lembro como se fosse hoje, na seção de esportes, aquela bike exposta e eu paralisada olhando. Era toda azul turqueza, fita de guidom laranja e a marca escrita em branco. Meus pais realizaram o início do meu sonho e compraram pra mim. Lembro até o valor, $400 Cruzeiros, isso foi em 1984.

Logo no primeiro treino percebi a gigante diferença da Caloi Triathon para a Caloi Sprint 10: peso, eficiência, tudo era muito incrível. Não imaginava que poderia existir algo ainda melhor. Soube apenas em 1985, quando experimentei a Allan Battistine. No Brasil, era a máquina dos sonhos na época. Minha fissura e dedicação era tão grande, que meus pais acabaram me presenteando quando fiz 20 anos.

A primeira prova e tombo

Ainda utilizando a Caloi Triathon, participai da primeira competição. Foi uma prova no Aterro do Flamengo, percurso total de 80 Km. Sempre fui “rodeira”, isso não mudou até hoje. Nesta prova, exagerei na proximidade da roda das adversárias e acabei caindo no km 50, aproximadamente. Pois é, histórias que a gente não quer contar, mas foi este meu primeiro tompo e ganhei as primeiras cicatrizes.

Usava pedal com firma pé, sapatilha dois números maiores, tamanho 38, capacete de tirinhas, também enorme pra minha cabeça, Jesus, tudo muito novo e muito estanho pra mim, mas nem me importava e seguia adiante. Realmente me encontrei no mundo do ciclismo e, cada vez mais, queria novos desafios.

A segunda prova

Minha segunda prova foi um percurso do Rio de Janeiro pra Angra dos Reis. Imaginem, mais de 100 Km, pouco tempo antes eu era fumante e nem sonhava em ser atleta de competição. Se pudesse passar um filme pra vocês deste dia, mostraria cada detalhe que tenho em minha mente. Restaram poucas fotos capazes de materializar esse dia de conquistas. Completei o percurso em aproximadamente 4 horas, não parei e, lembro bem, naquele dia aprendi a fazer algo que faço até hoje. Não olhei para a inclinação da montanha, não me preocupei com o quanto ainda iria percorrer, fixei meu olhar e meu pensamento no momento e no desafio daquele segundo. E, assim, funcionou, completei a prova e tive a honra de ser acompanhada pelo carro da Federação, com o Comandante Borges (então presidente da entidade) gritando incentivos e elogios que me moveram com muita raça até o fim.

Na verdade, ele me adotou naquele dia com a atleta promissora. Não posso negar que isso foi um diferencial pra começar minha carreira. Eu me via no topo de um pódio olímpico, achava viável conquistar um título mundial, enfim, sonhei com muitas coisas a partir deste dia iluminado.

Mas, vamos aos poucos, vou contando devagar para ir lembrando dos detalhes. Estaremos juntos por aqui sempre no primeiro domingo do mês. Quer saber alguma coisa em especial? Compartilhe comigo. Uma honra poder trocar histórias com vocês. Acompanhem também no Instagram e Podcast.

Fotos arquivo pessoal Iêda Botelho

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