Começo de temporada de XCO 2021, por Henrique Avancini

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Henrique Avancini, da equipe Cannondale Factory Racing, relata como foi chegar para a disputa dadas as dificuldades impostas pela pandemia

Avancini venceu a prova na ilha de Elba, no litoral mediterrâneo na cidade de Capoliveri, na Itália. Foi a segunda prova de XCO do Internazionali d’Italia Series. Dessa maneira foi a primeira prova oficial da temporada olímpica para ele e outros importantes ciclistas do cenário mundial da modalidade na atualidade.

Abaixo na íntegra o breve relato do ciclista publicado na rede social Strava.

“A primeira competição da temporada sempre é importante para mim. Por mais que os dados e parâmetros de treinamento indiquem qual o nível da condição física, a entrega de performance na competição envolve muitos outros aspectos e isso é o que ainda me deixa com aquela “coceira” antes da primeira prova do ano, mesmo depois de tantos anos fazendo isso.

A pré-temporada de 2021 foi, de longe, a mais desgastante da minha carreira. As muitas vezes que planejamos e reajustamos os planos para a temporada, chegaram à um nível irritante.

Temporada olímpica.

Não poder defender o posto de número do ranking mundial, ver os rivais europeus competindo com relativa normalidade e não conseguir flexibilização para entrada na Europa foram alguns dos fatores que começaram a me incomodar.

Chegamos a um ponto do ano que eu precisava ir para Europa. Já estava considerando cobrir a quarentena isolado, quando surgiu uma oportunidade de entrada na Itália. Um processo, relativamente simples, desde que o organizador realizasse um processo de registro do evento e providenciasse os documentos corretos (que não foram poucos).

Finalizamos os detalhes na quarta-feira para que eu viajasse na sexta, chegasse na Ilha de Elba no domingo e competisse na segunda-feira.

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Foto: Michele Mondini

Saí de casa e no aeroporto me lembrava de quantas vezes viajei no “perrengue”, sem condições de planejar muitos detalhes. Parecia que estava voltando no tempo, embarcando com aquele frio na barriga e na expectativa do que poderia acontecer.

Depois dos controles de embarque e entrada na Europa, tive uma longa conexão em Amsterdam. Fiz minha última refeição ainda em casa, na sexta-feira, pois tenho uma regra pessoal de nunca comer comida de avião (acredite, já tive experiências suficientes para ser muito fiel a esta regra). Na conexão não havia nenhum restaurante aberto, então comi algumas barrinhas, suco, cappuccino, mas precisava colocar algumas calorias para dentro.

Único lugar aberto? Burguer King!

Me desculpe o palavreado, mas, “o que é um peido pra quem está cagado!?”. Mandei um Combo e embarquei para Milão onde cheguei na meia noite de sábado para domingo. Encontrei com o Phil Dixon (gerente de performance da CFR) e o Kenta Gallaguer (técnico de pilotagem e que seria também meu mecânico na competição).

Saímos de Milão às 5:30 para a Ilha de Elba. Viagem longa, com travessia de navio e tudo mais. Chegamos aonde ficaríamos hospedados por volta das 14:30 e a recepção estava fechada. Lá se foi mais uma hora até que conseguimos entrar nos quartos e comer alguma coisa. Tive que apertar o passo, porque ainda precisava treinar na pista e o sol já começava a baixar.

Fiz um aquecimento, fui para pista para definir as linhas e setup de material para o dia seguinte. Cheguei no hotel já no pôr do sol, jantamos e fui dormir quebrado. Geralmente temos um corpo de staff muito maior nas provas, com chef, fisioterapeuta, team manager, mídia, etc.

Dessa vez era na simplicidade.

Fui dormir com dores nas costas, pernas inchadas mas com uma vontade enorme de competir no próximo dia.

Acordei, fiz meu treinamento de respiração e saí para um treino mais longo com alguns sprints e intervalos específicos. Comi meu tradicional arroz com ovo antes da prova e comecei a me arrumar para a corrida.

Nível muito alto, clima frio, mas com sol, circuito veloz e traiçoeiro. Aconteceu muita coisa na prova. No fim, venci após uma disputa volta a volta com Nino Schurter.

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Foto: Michele Mondini
Vitória importante? Muito!

Eu acredito que duas coisas foram, e são, importantes para meu crescimento como atleta. Uma delas é ser metódico, perfeccionista, crítico e sempre buscar a perfeição (mesmo sabendo que ela é inalcançável), a outra é ser flexível e adaptável. São opostos que se completam na vida do atleta.

Essa foi no extremo do flexível e reforçou um princípio que tenho: o objetivo principal deve ser sempre a entrega de performance, independente das condições.

Agora 2021, começou pra valer!”

Foto capa: Michele Mondini

Fonte: https://www.strava.com/clubs/564467/posts/15570780

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